Marcha da Vida Jovens 2015 na Polônia

Conhecendo o passado judaico na Polônia

Um pouco do dia a dia desta vivência

No dia 28 de junho foi o embarque da Marcha da Vida 2015 com 60 jovens. Inicialmente, o grupo  foi conhecer mais sobre a vida judaica na Polônia. Abaixo um relato escrito pelo grupo sobre a primeira parte desta viagem, que segue para Berlim e Israel.

Fomos para Varsóvia conhecer, especialmente, os anos de Gueto. Começamos o dia no cemitério – que já pertencia à comunidade antes da Guerra e foi incluído na área do Gueto durante o nazismo. Vimos desde túmulos antigos, com inscrições exclusivamente em hebraico, até o de Lili Richman (Z”L), sobrevivente do holocausto falecida em 2008.

Com tristeza, estivemos na vala comum onde eram enterrados aqueles que morriam de fome e de doenças durante a vida no Gueto e cujos familiares não tinham recursos para providenciar um túmulo individual. A terra, hoje, já desceu uns bons metros devido à decomposição dos corpos.

De lá, partimos para a emblemática rua que dividia o Gueto em uma parte menor, que abrigava as fábricas alemãs onde os judeus trabalhavam, e em outra parte maior. Os dois lados eram ligados por uma passarela, hoje marcada por pilares que funcionam como monumentos. O edifício da esquina ainda é o mesmo que pudemos ver em fotografias da época.

Aprendemos que cada judeu que trabalhava recebia aproximadamente 180 calorias por dia para alimentar a si próprio e à família. É o equivalente a duas fatias de pão. A obtenção de mais comida dependia de contrabando e de dinheiro.

Seguimos para a Umschlagplatz,onde os moradores do Gueto se reuniam à espera de trens que, segundo os alemães haviam lhes contado, os realocaria no leste, em melhores condições de vida. Na verdade, de lá eles partiam para a morte nas câmaras de gás em Treblinka.

O local abriga hoje um momento em cujas paredes estão gravados uma série de nomes comuns na época: Hanna, Fajga, Zelda. Entre eles, nomes de nossos familiares e nossos próprios nomes.

Atravessando a rua, percorremos a Rota do Heroísmo. Essa região do antigo Gueto possui diversas pedras com placas em homenagem aos heróis da resistência. Um deles é o patrono da nossa viagem, o pediatra e educador Janus Korczak. A resistência dele foi moral. Também aprendemos sobre heróis da resistência cultural, religiosa e armada.

Paramos na rua Mila, número 18, onde os últimos judeus do Gueto se abrigaram em um bunker antes de serem explodidos pelos alemães. Alguns poucos conseguiram escapar da explosão.

Vimos ainda um monumento aos heróis da resistência – nas mãos do escultor Nathan Rapaport, homens grandes, fortes, musculosos. Uma versão idealizada das figuras doentes e franzinas que lutaram contra a desumanização de seu povo.

Depois disso, ufa, pausa para almoço, reflexão sobre as diferentes formas de resistência e visita ao museu judaico de Varsóvia. Seu nome é Polin, que é ao mesmo tempo “Polônia” e “aqui descansamos”, “Po-lin”, em hebraico. Foi com esta crença que os judeus chegaram e viveram por oito séculos neste país. A crença de que aqui poderiam descansar, viver em paz sob a proteção dos senhores feudais, fixar raízes e construir belas sinagogas para seus filhos e filhas, netos e netas, bisnetos e bisnetos. E assim foi por anos, até que, antes da Guerra, a maior comunidade  judaica da Europa somava 3,5 milhões de pessoas (para termos de comparação, no Brasil somos cerca de 110 mil). Hoje, restam 15 mil judeus em toda a Polônia.

 

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